Somente alguns minutos em água quente.

Arquivo para outubro, 2010

Viva o sócio

Diana F+, primeiro rolo de filme, Charitas“O dia mais livre de compromissos não é aquele em que a leitura será posta em dia, as provas terminarão de ser corrigidas ou os problemas com o banco serão resolvidos e sim aquele em que serão baixados os novos episódios de Big Bang Theory.”

Provérbio Chinês

Rápido relato de infância

Quando era criança, acampávamos nas férias todo ano. Como ficávamos muito tempo acampados, tínhamos (e ainda temos, ainda que aposentada) uma carreta para levar todos os apetrechos necessários.
Meu pai, muito espirituoso, recortou umas letrinhas em papel adesivo brilhante e colou na nossa carreta “VIVA O ÓCIO”.
Quando eu, com meus 7 anos, mais ou menos, perguntei a ele o que era “ócio”, ele me respondeu que, na verdade, era “sócio”, mas o “s” havia descolado.

Acreditei que a frase era “VIVA O SÓCIO” até descobrir o que era “ócio”. Coloque aí uns bons anos.

Meu pai não bebia chá.

Duas rodas

Vim fazer uma confissão. Prepare-se:

Eu não sou saudável.

Tudo bem, um pouco sim. Tomo cuidado com a minha alimentação, faço pilates, essas coisas mas, que fique claro, eu ando de bicicleta por alguns motivos muito menos belos do que a maioria das pessoas imagina:

1. Locomoção mais rápida do que ir aos lugares a pé;
2. É mais barato que andar de ônibus;
3. É bem mais seguro para mim e para o resto da população papa-goiaba do que sair por aí de carro;
4. Não pago gasolina nem IPVA e, muito menos, sou multada por ultrapassar a velocidade máxima;
5. Jogo bem menos carbono na atmosfera que você, motorista do 46 que tentou me atropelar.

Na realidade, o motivo principal de eu ter comprado minha bela Caloi Poti foi o fato de eu ter uma preguiça mortal de andar até a universidade. Apesar de meu meio de transporte parecer pesar 13 toneladas e não ter marchas, foi minha segunda melhor compra do ano, superada apenas pela minha alma gêmea, meu MacBook.

Então, povo niteroiense, aceite, eu ando de bicicleta porque sou preguiçosa. Desculpa a decepção, mas eu não podia mais carregar essa omissão nas costas.

Quero aproveitar para fazer um apelo.

O Leandro, que também assume sua queda pelas duas rodas em seu perfil, já deve ter chegado à mesma conclusão que eu: Ninguém respeita os ciclistas.
O fato de não ser nem motorista nem pedestre, deixa o ciclista em um meio-termo que só ele e os outros ciclistas conhecem.

Hoje cedo, eu contava para uma aluna como me irrito quando, na falta de espaço para usar o canto da rua, o motorista que vem atrás faz um estardalhaço. Dizia eu “Se eu fosse um carro, ele não teria de me esperar passar? Os motoristas querem que as bicicletas fiquem nas calçadas e os pedestres querem que fique na rua.” ao que ela me respondeu “Poxa, professora, não tinha pensado nisso. Sempre buzino para as biciletas…”

Então, meus queridos, meu pedido é esse. Se você é um motorista, respeite o ciclista; a rua, por lei, também é dele. Se você é pedestre, olhe antes de atravessar, não é porque a bicicleta é menor que o carro que ela poderá frear a dois centímetros de você. Se você é ciclista, não suba na calçada nem chute retrovisores; não faça com que outros ciclistas sofram com a fama que você criou. E, finalmente, se você se encaixa em mais de um grupo, não se esqueça de um quando está praticando o outro.

E tenho dito. Chá?

Delírio

Na primeira era uma fada azul. Cabelos longos e ondulados. Azuis. Na segunda era uma favela na Índia. Cor de telha. Como se usasse meus óculos de lentes alaranjadas. Depois não era nada. Era suor e cansaço. Não queríamos falar mas sabíamos que a cama não se arrumaria sozinha.