Vim fazer uma confissão. Prepare-se:
Eu não sou saudável.
Tudo bem, um pouco sim. Tomo cuidado com a minha alimentação, faço pilates, essas coisas mas, que fique claro, eu ando de bicicleta por alguns motivos muito menos belos do que a maioria das pessoas imagina:
1. Locomoção mais rápida do que ir aos lugares a pé;
2. É mais barato que andar de ônibus;
3. É bem mais seguro para mim e para o resto da população papa-goiaba do que sair por aí de carro;
4. Não pago gasolina nem IPVA e, muito menos, sou multada por ultrapassar a velocidade máxima;
5. Jogo bem menos carbono na atmosfera que você, motorista do 46 que tentou me atropelar.
Na realidade, o motivo principal de eu ter comprado minha bela Caloi Poti foi o fato de eu ter uma preguiça mortal de andar até a universidade. Apesar de meu meio de transporte parecer pesar 13 toneladas e não ter marchas, foi minha segunda melhor compra do ano, superada apenas pela minha alma gêmea, meu MacBook.
Então, povo niteroiense, aceite, eu ando de bicicleta porque sou preguiçosa. Desculpa a decepção, mas eu não podia mais carregar essa omissão nas costas.
Quero aproveitar para fazer um apelo.
O Leandro, que também assume sua queda pelas duas rodas em seu perfil, já deve ter chegado à mesma conclusão que eu: Ninguém respeita os ciclistas.
O fato de não ser nem motorista nem pedestre, deixa o ciclista em um meio-termo que só ele e os outros ciclistas conhecem.
Hoje cedo, eu contava para uma aluna como me irrito quando, na falta de espaço para usar o canto da rua, o motorista que vem atrás faz um estardalhaço. Dizia eu “Se eu fosse um carro, ele não teria de me esperar passar? Os motoristas querem que as bicicletas fiquem nas calçadas e os pedestres querem que fique na rua.” ao que ela me respondeu “Poxa, professora, não tinha pensado nisso. Sempre buzino para as biciletas…”
Então, meus queridos, meu pedido é esse. Se você é um motorista, respeite o ciclista; a rua, por lei, também é dele. Se você é pedestre, olhe antes de atravessar, não é porque a bicicleta é menor que o carro que ela poderá frear a dois centímetros de você. Se você é ciclista, não suba na calçada nem chute retrovisores; não faça com que outros ciclistas sofram com a fama que você criou. E, finalmente, se você se encaixa em mais de um grupo, não se esqueça de um quando está praticando o outro.
E tenho dito. Chá?

Comentários em: "Duas rodas" (1)
Ah, é verdade… Tangenciei o assunto das bicicletas . Lembre os seus alunos e os demais leitores que o Código de Trânsito diz que bicicletas só são bem vindas nas calçadas quando os donos estiverem desmontados e empurrando-as. Fora isso, lugar de bicicleta é na ciclovia (quando houver) ou na rua. E os carros, ao ultrapassar, devem respeitar as mesmas regras de uma ultrapassagem normal: colocar seta para a esquerda, ir na outra pista, colocar seta para a direita e seguir adiante. Com um adendo: é multa para o carro que passar a menos de um metro e meio da bicicleta.
E bem vinda ao clube dos Macs!!!
Estou esperando o Vélib brasileiro, mas, não sei se aí nas suas bandas é igual, mas aqui na terra de Araribóia tenho visto cada vez mais bicicletas e fico feliz com isso. Vai, Planeta!
Sobre o Mac, já aderi: Once you go Mac, you never go back.