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Eu ia escrever sobre outra coisa hoje. Um assunto um tanto romântico, um tanto poético, enfim, um tanto chato.

Liguei o computador, conferi meu Orkut e lembrei de uma conversa que tive ontem e de algumas conclusões que saíram dela, não apenas da própria conversa como também de uma reflexão posterior (Parece até assunto sério, não é?).

Pois bem, estimado leitor, confira se não digo a verdade:

O ser humano é curioso demais para resistir à fofoca. Minha mãe diz que Jesus disse que onde houvesse duas ou mais pessoas reunidas, lá ele estaria e haveria fofoca. Pense comigo: quem foi a última pessoa que você viu passar por uma situação assim:

- Fulano, você não sabe da última!

- Ah, nem quero saber, detesto fofoca.

Pode até já ter visto essa cena, mas aposto o que quiser que a pessoa ficou tão curiosa que acabou ouvindo a história no fim das contas.

Como disse, é irresistível. Não existe ninguém, e reforço, ninguém, que não goste de fofoca. O que existe é gente que diz que não gosta de fofoca por achar que é uma cois que desmerece as pessoas. Mas, minha gente, é uma coisa tão natural! Aliás, acho até que quem diz que não gosta é quem mais gosta. Já explico minha tese.

A boa fofoca envolve vários detalhes:

1. O tom de fofoca. Ninguém conta uma fofoca como quem conta um história qualquer. A fofoca é contada em volume baixo, devagar, às vezes até separando sílabas. O tom de fofoca é um tom de perigo. Como se alguém fosse pular de trás de uma pilastra e te pegar com a boca na vida alheia. É um tom mais escondido do que de quem conta um segredo, porque ser pego contando um segredo seu só te deixaria envergonhado, mas ser pego contando uma fofoca é uma vergonha dupla, para você que sai de fifi e para a pessoa alvo da fofoca, que vai acabar sabendo que você estava falando dela, já que ninguém pula de trás de uma pilastra para compartilhar do assunto e sim para dedurar, concorda? Aquela pessoa que diz que não gosta de fofoca é que emprega mais esse tom.

2. O vocativo alongado. Esse eu acredito que aconteça mais entre as mulheres (e gays). Note a diferença:

- Fulana, você sabia que blábláblá…

- Fulaaaaaana, você sabia que blábláblá…

É muito comum também que o nome seja substituido por “meniiiiina”, “amiiiiga” e derivados.

3. O meio. Como é sabido, fofoca-se de todas as maneiras. Ao vivo, por telefone, jornal, revista, televisão e nem preciso citar a internet. Estamos já de acordo que a mídia é uma grande fofoca e o Orkut é a rede mais fifi do mundo.

4. O alvo. Essa foi uma conclusão da conversa de ontem. Tem gente que adora ser alvo de fofoca. É aquela pessoa que diz que não se importa com o que os outros pensam dela, mas quer mais é que os outros pensem e, pricipalmente, falem. Normalmente essas pessoas fazem parte da comunidade “falem bem, falem mal, mas falem de mim” e derivadas no já citado Orkut e adoram dar showzinho.

Para terminar, quero deixar clara a minha opinião de que os homens são fofoqueiros também. Nem vem com essa de que fofoca é coisa de mulher, porque não é. Meu pai, por exemplo era o homem mais fofoqueiro que eu conheci. Adorava falar da vida alheia. A diferença é que os homens são um grupo muito unido, então não costumam ser pegos na fofoca, já que fofocam entre si. As mulheres fofocam mais abertamente e se traem o tempo todo.

Vai negar que você é fofoqueiro?

 

Sou apaixonada por essa propaganda.

Conversamos sobre o assunto mais tarde?

A dona da casa.

19 anos, estudante de Letras, nascida e criada em Niterói, enrolada e desligada. Certas dúvidas quanto ao futuro, mas quem tem certeza? Tenho grande paixão por livros e como todas as azeitonas da pizza. Esperava um pouco mais desse mundo e só acerto nos doces. Aceita um chá?

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