Sempre fui de prosa. Conto, crônica, o que for. Nunca verso, sempre prosa.
Agora descobri que escrevi um poema. Sem querer. Nasceu assim, sozinho. Em prosa, mas poesia.
Veio de uma vez só, do jeito que quis. Eu não escolhi, ele veio.

Sou de prosa e estou surpresa.

Quando tinha meus 12 anos, queria ser garota. Ser menina soava infantil, não era o bastante. Bobagem.
Hoje vejo muitas meninas em garotas de uniforme. Algumas delas serão sempre garotas. Superficiais, vidas vazias.
Acho que, no fundo, serei sempre menina.

E gosto de ser menina. Eu, menina. “Sua menina”.

E hoje não quero chá. Também não quero café.
Mas quero canecas ocupadas.

Chocolate para dois.