Um conto porque não postei mais nenhum depois do primeiro post. Esse em especial porque se parece muito com o que tenho passado.
Suzana corria em um lindo campo de lavanda. O sol brilhava lindamente e suas roupas brancas formavam com a cor lilás das flores um contraste encantador. Porém, a trilha sonora composta por uma lindíssima música clássica foi substituida pelo berro do despertador. O instinto quase a fez atirá-lo pela janela, mas sabia que precisaria ouvi-lo tocar novamente no dia seguinte. “Preciso me levantar…”
A moça se arrastou da cama até o banheiro. Suas feições cansadas denunciavam o quão curto havia sido seu sonho. Lavou o rosto e escovou os dentes; não havia tempo para um banho relaxante. “Preciso trabalhar…”
Engoliu correndo um gole de café frio em um copo de vidro, calçou um par de sapatos que costumava deixar ao lado da porta para que fosse mais rápido vesti-los pela manhã e levou a mão ao porta-chaves. “Onde está a maldita chave? Preciso trabalhar…”
Suzana foi tomada pelo desespero. Precisava sair. Naquele momento a carreira era tudo em sua vida. Se afastava o máximo possível dos homens, não via as amigas desde a formatura da faculdade e a família só contava com sua presença no Natal. Por mais que sentissem sua falta, entendiam o esforço que tinha feito até então para chegar onde chegara. Apressada, atrasada, tateava a casa em busca das chaves. “Preciso trabalhar…”
Uma lágrima escorreu de seus olhos. “Preciso trabalhar…” Suzana largou-se no sofá. “Preciso trabalhar…” Enxugou o rosto com as mãos, esticou-se sobre o sofá e repousou a cabeça em uma almofada que não lembrava que tinha. “Preciso descansar…”
Suzana adormeceu sentindo o cheiro que esquecera que sua casa tinha. Acordaria algumas horas mais tarde, descansada e satisfeita, e sairia para comprar pão fresco. Passaria tranqüilamente pela porta que esquecera de trancar na noite anterior.
Estou cansada. Camomila pra dormir.

14 comments
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Maio 12, 2008 às 7:15 pm
Cau
“Suzana foi tomada pelo desespero. Precisava sair. Naquele momento a carreira era tudo em sua vida. Se afastava o máximo possível dos homens, não via as amigas desde a formatura da faculdade e a família só contava com sua presença no Natal. Por mais que sentissem sua falta, entendiam o esforço que tinha feito até então para chegar onde chegara.”
Me identifiquei totalmente! Vai ver por isso adorei mais ainda.
Você seria uma ótima contribuidora para o livro que sugeri no meu blog =D (novo post)
Beijão e boa noite,
Cau
-> Com certeza Suzana se encaixa nas vidas corridas. A minha tem estado desesperadora… xD
Que bom que gostou! Vou lá dar uma olhada no seu post novo. Beijo!
Maio 12, 2008 às 9:35 pm
Ricardo Brenelli
Se parece em muito com o que você tem passado?
Loosen up!
O conto é bom. Dramático, mas com happy ending. Seria ideal se fosse ambientado em NY. Sempre que leio ou vejo algo sobre pessoas estressadas, trabalhando e sem tempo, lembro-me de NY. Lá é permitido ser assim.
Sugestão: Pegue o carro, vá a “Whole Foods” (aka Sendas), compre seu chá e biscoitos, vá até o Central Park mais próximo, e relaxe neste fim de semana.
Depois volte com um post novo. Quem sabe sobre Cannes? Got it?
-> Você pode ambientá-lo em NY se quiser, dear. Vou mesmo tomar um chazinho com biscoitos, porque estou estressadíssima. Yeah, got it.
Maio 13, 2008 às 12:08 am
Nuno
Beeeeeem de longe, sua personagem parece com algumas q eu já escrevi.
Olha, sobre a política, vc n precisa escrever in case u don’t feel like doing it, ok? É legal a gente ter prazer no que escreve; acho q é isso que faz um blog durar.
bj!
-> For sure, dear. Eu quero escrever sobre o assunto. É bom variar, right? Beijo!
Maio 13, 2008 às 9:53 am
Marcos
Ótimo conto. Relata bem o cotidiano de algumas muitas pessoas. A correria dos dias atuais é tão presente que é raro encontrar alguém que não se identifique com este texto.
O ideal seria mesmo saber conciliar tudo. Afinal, um dia, todos cansam, e é por isso que temos limites, embora não saibamos reconhecê-los.
bjos!
-> Com certeza conciliar seria o melhor a se fazer, mas às vezes é tanta coisa para fazer que é impossível conciliar.
Maio 13, 2008 às 11:40 am
Amanda
Adorei Mari!
Ano passado para mim era assim (tudo bem que eu não trabalhava) , estudava que nem uma louca , quando tinha tempo livre lia “Atualidades Vestibular”, um inferno!!
A melhor solução (um dos motivos para que eu me identificasse com o texto) é relaxar… e foi isso que eu e a personagem fizemos.
=D
beijoss
-> É isso aí. Relaaaxa, Mandienha!
Maio 13, 2008 às 7:32 pm
ideiasflutuantes
Oi achei se blog lá nos links do gossipjunkie.
Muito legal
Gostei do conto, hoje em dia é cada vez mais comum as pessoas esquecerem de viver perdidas em várias ocupações.
Só uma pergunta: Você gosta de Niterói? Vou me mudar pra lá no meio do ano, e não conheço direito.
-> Sinta-se em casa e obrigada pela visita! A cada dia se faz mais coisas ao mesmo tempo, não é? A respeito de Niterói, em gosto muito. Você só tem que lembrar que é meio província, então a cidade fica vazia mais cedo e as opções do que fazer nas noites de sábado são mais restritas… xD
Maio 14, 2008 às 12:34 pm
Amanda
ficou lindo esse desenho no blog!!!
-> Gostou? Que bom! ^^ Depois de longo e tenebroso inverno, achei! \o/
Maio 14, 2008 às 5:03 pm
Dave Grael
Poo, porisso que euacho que assim como um domingo por semana acho que devereia ser obrigatório o apreciar de um por do sol.. sentado num quiosque em camboinhas ou em icaraí mesmo.. em qqer praia, em casa… bom somente sentar e olhar pro nada que se transforma aos poucos em tudo… limpar a mente, pisar descalso na areia pra trocar energias com a terra.. lavar a alma num mergulho em agua salgada…
paz!
o desenho ficou bom mesmo…
bjs.
-> Concordo em gênero, número e grau, Dave. Por isso costumo dar umas voltas no Campo de São Bento quando é possível. É bom trocar umas energias com a natureza.
Paz!
Beijos
Maio 15, 2008 às 7:32 am
Maria Isabel
Como disse o Ricardo, em NYC é mesmo permitido ser assim, o conto ficaria bem ambientado por lá. Mas fora isso, ficou muito legal. Acho que é o tipo de coisa que todo mundo faz quando está imerso no mix cansaço + desespero. No meu caso, antes de deixar cair a lágrima eu gritaria uns 1300 palavrões, sairia revirando tudo pela casa, ficaria (um pouco!) histérica pra depois sentar no sofá e derreter. Hahaha
É, o desenho novo dos chás ficou bem legal mesmo!
Beijos
-> Como disse ao Ricardo, nada os impede de ambientar o conto em NYC. É só usar a imaginação…
Mas gritar também é bom, contanto que não atrapalhe o vizinho.
Maio 15, 2008 às 8:46 pm
felipeluno
ei, voce precisa publicar mais contos hein!
gostei! há continuação?rs
o layout novo é bacana também, achei bem clean.
-> Que bom que gostou! Fiquei até orgulhosa agora… :$
Continuação desse não, mas há outros. Postarei com o tempo.
Maio 16, 2008 às 1:18 am
Milena
Adorei!
O cansaço dá amnésia em qualquer um!
Quanto ao vocativo, acho que erro e muito.
-> O cansaço nos faz esquecer as vírgulas de vocativo, Milena. hehehe
Maio 17, 2008 às 9:53 pm
Rubens MMaia
cara Nana!
sinto-me envergonhado, ou melhor, sei que fiz papel de bobo. foram dois equívocos: o primeiro, por não ter notado as intenções do seu blog; o segundo, por ter comentado o post errado (eu fazia referência única e exclusiva ao post É com cedilha?).
bem, o que passou não pode ser mudado, mas talvez seja amenizado. afirmo que seu blog é dos mais criativos que eu pude contemplar e fiz questão de adicioná-lo à minha lista de links recomendáveis. reitero que minha intenção aqui não é bajulá-la, porém estabelecer uma relação amistosa.
que tudo seja feito pela arte, pura e simplesmente!
abraço!
-> Caro Rubens,
Não há por que sentir vergonha ou achar que fez papel de bobo, visto que não fez nenhuma colocação imprópria ou ausente de sentido. Tudo o que disse não deixa de estar certo e, como já havia colocado, entendo perfeitamente o seu ponto de vista.
Espero não ter soado rude em minha resposta anterior e, para prová-lo que não passa pela minha cabeça achar que tem a intenção de me bajular, afirmo que visitei seu blog, gostei muito, e, a partir de hoje, seu link mora no meu “outros loucos”, afinal, somos todos poetas e loucos, além de corajosos por mostrar ao mundo essa loucura e arte.
abraço!
Maio 18, 2008 às 12:26 am
Milena
Tá linkada!
-> Você também!
Julho 5, 2008 às 9:01 am
abd
Adorei o conto, deve retratar mesmo a sua vida.
Tenho singelas e humildes sugestões no segundo e terceiro parágrafo, parágrafos que retratam pressa, acho que nos trechos ”Lavou o rosto e escovou os dentes..” do segundo, e ”…que fosse mais rápido vesti-los pela manhã e levou a mão ao porta-chaves.” do terceiro, a partícula ”e” que introduz suas ultimas orações poderia ser substituida por uma vírgula, dando mais enfase ao movimento e a pressa deixando uma continuidade de acções caracteristica dos apressados…’’só pah brincar contigo mesmo”
bjooo